Estou a preparar uma viagem, que por sinal será muita longa, duradoura. Levará dias até sua conclusão. E nesta ousada empreitada vou levar quem quiser ir comigo. Mas, vou de imediato advertindo, que não pode desistir durante a viagem, mesmo que ocorra algum problema de saúde. Pois, esta exige muita resistência de quem a enfrentar.
Vou a Canindé, pedi as bençãos a São Francisco de Assis de Canindé, a pé. Tem que ser a pé. Na vida, tudo que ser com sacrifício, senão, não tem o merecido valor. Com o tempo, cai no esquecimento. Então, para comprovar a importância que destinei a esse tal milagre, não contarei qual, vou a pé, mesmo que sozinho vá. Mostrarei como palavra de matuto não quebra.
Convidarei um professor amigo meu, o melhor cronista do mundo, para ir comigo. Sim, chama-lo-ei porque ele tem uma cara de preguiça que só vendo. Seus passos são arrastados e contados. Até para proferir algumas palavras eles senti preguiça. Levarei uma macaca, caso ele durma, soltarei o couro esticado e seco em seus lombo, sem pena.
Para completar a romaria, convidarei um estudioso colega meu, da área da linguística. Este é outro molenga, que vive a dormi pelos corredores. Levarei para ler no caminho vários poetas consagrados, que este último amigo tanto odeia. Valoriza por demais os marginais, esquecendo as contribuiçoes de Machado de assis, Vinicius de Moraes e tantos outros para nossa literatura.
As minha bugigangas já estão prontas. Comprei uma chinela de sola, adaptada para o asfalto. Esta tem que durar toda a viagem. Encomendei ao mesmo artesão um chapéu de couro modelo Lampião. Pedi a uma costureira. vizinha minha para coser uma blusa de tergal, com mangas longas, para proteção contra o sol. A mesma senhora, atendeu a meu pedido e costurou minha calça de chita, com boca de sino. A mala, também está pronta. É um bornal de estopa, resistente e macio.
O destino final da peregrinação é a Basílica de São Francisco. assisterei a missa e voltarei na mesma pisada, na companhia de dois cabra da peste, destemidos e valente.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Explica
Uma poesia para explicar
A dor
A solidão
A falta
O nada
O tudo não merece explicação
Uma poesia para sentir
O coração bater
O suspiro falar
O corpo ranger
A pele suada
A unha cravada
Uma poesia para ver
Você
O dia
A noite
A claridade
o infinito
Uma poesia para escutar
O teu chamado
O pedido de namoro
Tua presença
Uma poesia para explicar
O que não se pode explicar
O que não se pode entender
A dor
A solidão
A falta
O nada
O tudo não merece explicação
Uma poesia para sentir
O coração bater
O suspiro falar
O corpo ranger
A pele suada
A unha cravada
Uma poesia para ver
Você
O dia
A noite
A claridade
o infinito
Uma poesia para escutar
O teu chamado
O pedido de namoro
Tua presença
Uma poesia para explicar
O que não se pode explicar
O que não se pode entender
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Piolhos
Ora, nobre leitor, estou furioso com essa malta urbana, seus hábitos e seus moradores, que inventam a todo instante um troço novo para nos tirar a paciência.
Você é capaz de me dizer onde estão as moedas do nosso país? Não, claro que você não sabe. Faz um século que não a vimos pelos nossos bolsos. A não ser que precisemos dos serviços prestados por moto taxi. Pois, aí está. Elas moram lá, com residência fixa, nos bolsos dos coletes destes leva e traz de passageiros. Eles possuem aos montes.
Minha ira começou quando precisei de uma mísera moeda de cinco centavos para interar o leite do menino, e acredite, não encontrei em parte nenhuma da casa. Fui ao vizinho, pedi-lhe um empréstimo a juros compostos, mas o colega do lado também não tinha. Sem saída, empenhei a cela do jegue ao leiteiro. Agora está sem poltrona, minha poderosa máquina .
Sem meu jumentinho, fui obrigado a recorrer a um moto taxi, e na hora de pagar o rapaz, ele saca do bolso uma sacola de moedas, de todos os valores. Instantaneamente atirei-lhe uma série de desaforos. O coitado sem entender, não respondia nada. Peguei meu troco e fui direto saldar a dívidir com o leiteiro, e resgatar minha cela. Durante o caminho, senti minha cabeça coçar, passei os dedos para aliviar a pertubação. Mas, nada fazia diminuir a agoniação. Cheguei em casa com a cabeça ardendo de tanto esfregar. Implurei para minha esposa ver o que tinha na cabeça. Escutei seu grito alarmante: PIOLHO, PIOLHOS. Nobre leitor, fui contaminado por uma multidão de piolhos famintos, que sugavam meu sangue pouco e fraco, advindo do capacete do desgraçado moto taxi. Aquilo me deu uma raiva. Joguei toda espécie de praga que conhecia no motoqueiro.
Hoje, ao meio dia, escutei do rádio uma notícia que avisava o fim do uso do capacete no perímetro urbano.
Bem que essa medida podia ter acontecido antes de eu ter sido infectado. No mesmo momento fiquei indeciso, quanto a obrigação do uso para transportes de quatro patas. Teria que deixar de usar meu chapéu de couro ao desfilar pelas ruas da cidade com meu lazarino?
Volto a andar a pé, com minha chinela de pneu e pronto. Quero ver quem vai me multar.
Ademais, até logo, e volta já.
Você é capaz de me dizer onde estão as moedas do nosso país? Não, claro que você não sabe. Faz um século que não a vimos pelos nossos bolsos. A não ser que precisemos dos serviços prestados por moto taxi. Pois, aí está. Elas moram lá, com residência fixa, nos bolsos dos coletes destes leva e traz de passageiros. Eles possuem aos montes.
Minha ira começou quando precisei de uma mísera moeda de cinco centavos para interar o leite do menino, e acredite, não encontrei em parte nenhuma da casa. Fui ao vizinho, pedi-lhe um empréstimo a juros compostos, mas o colega do lado também não tinha. Sem saída, empenhei a cela do jegue ao leiteiro. Agora está sem poltrona, minha poderosa máquina .
Sem meu jumentinho, fui obrigado a recorrer a um moto taxi, e na hora de pagar o rapaz, ele saca do bolso uma sacola de moedas, de todos os valores. Instantaneamente atirei-lhe uma série de desaforos. O coitado sem entender, não respondia nada. Peguei meu troco e fui direto saldar a dívidir com o leiteiro, e resgatar minha cela. Durante o caminho, senti minha cabeça coçar, passei os dedos para aliviar a pertubação. Mas, nada fazia diminuir a agoniação. Cheguei em casa com a cabeça ardendo de tanto esfregar. Implurei para minha esposa ver o que tinha na cabeça. Escutei seu grito alarmante: PIOLHO, PIOLHOS. Nobre leitor, fui contaminado por uma multidão de piolhos famintos, que sugavam meu sangue pouco e fraco, advindo do capacete do desgraçado moto taxi. Aquilo me deu uma raiva. Joguei toda espécie de praga que conhecia no motoqueiro.
Hoje, ao meio dia, escutei do rádio uma notícia que avisava o fim do uso do capacete no perímetro urbano.
Bem que essa medida podia ter acontecido antes de eu ter sido infectado. No mesmo momento fiquei indeciso, quanto a obrigação do uso para transportes de quatro patas. Teria que deixar de usar meu chapéu de couro ao desfilar pelas ruas da cidade com meu lazarino?
Volto a andar a pé, com minha chinela de pneu e pronto. Quero ver quem vai me multar.
Ademais, até logo, e volta já.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Velha Mansão
Tudo estava estático a escuridão dominava cada canto da sala e os demais espaços vazios daquela assombrada casa de passado obscuro. Os moveis tinham aparência destruida e cores sombrias, aumentando ainda mais o aspecto da residência
As pessoas que lá moraram adquiriram com o tempo o mesmo tom sombrio envelhecendo juntamente com o decorrido das horas. Havia um cheiro de defunto pelos corredores, sons misteriosos povoavam o recinto peculiar.
Ela estava bem ali. Sempre estava no mesmo lugar. O escuro caminho de acesso espulsava quaquer aprendiz dedestemido.
Nunca chegara luz. Claridade não combinava com o ambiente. Ela foi construída com a sombra do pesadelo.
Um dia um casal recem-casado chegou para morar na casa. Comprou mesas novas, armário, cortinas, consertou a estalação hidráulica. Mas, não demoraram duas semanas. A mulher morreu de pneumonia e o homem enlouqueceu. Foi o fim da segunda recente família que se atrevia a desafiar os mistérios da casa.
Um mendigo também tentou habitar a velha mansão. Mas, por apenas uma noite. Amanhecera morto, enfartou no meio da matrugada. O curioso era que seu rosto tinha expressão de espanto.
Ninguém sabia ao certo o que aquela casa tinha de desconhecido. Os moradores da pequena vila inventavam estórias de fantasmas dos primeiros donos; outros diziam ser a casa dominada por extra-terrestres. As suposições eram muitas. O fato era que nenhum ser conseguia vencer a casa.
Foi erguida no tempo do segundo reinado. Era uma construção imperosa e rica para a época. Seus primeiros donos eram da casa do Imperador. Todos admiravam a gigante obra. Todo o vilarejo se agitava durante a empreitada. O requinte era soberbo. Detalhes na fachada foi esculpido por artista vindo da França. As portas eram repletas de detalhes entalhados na madeira Pau-Brasil. Sua altura parecia que alcançaria as nuvens.
Mas, com o tempo, o edifício perdeu seu brilho e seu encanto. Restou a escuridão das paredes encardidas e a nostalgia da lembrança.
O passar dos dias corroia pouco a pouco a estrutura, que agora demosntrava sinais de ruínas. O prédio convaslecia, como seus donos convalesceram.
Tempo bom é o que virá. Viajar em pensamentos e viver comos errantes.
As pessoas que lá moraram adquiriram com o tempo o mesmo tom sombrio envelhecendo juntamente com o decorrido das horas. Havia um cheiro de defunto pelos corredores, sons misteriosos povoavam o recinto peculiar.
Ela estava bem ali. Sempre estava no mesmo lugar. O escuro caminho de acesso espulsava quaquer aprendiz dedestemido.
Nunca chegara luz. Claridade não combinava com o ambiente. Ela foi construída com a sombra do pesadelo.
Um dia um casal recem-casado chegou para morar na casa. Comprou mesas novas, armário, cortinas, consertou a estalação hidráulica. Mas, não demoraram duas semanas. A mulher morreu de pneumonia e o homem enlouqueceu. Foi o fim da segunda recente família que se atrevia a desafiar os mistérios da casa.
Um mendigo também tentou habitar a velha mansão. Mas, por apenas uma noite. Amanhecera morto, enfartou no meio da matrugada. O curioso era que seu rosto tinha expressão de espanto.
Ninguém sabia ao certo o que aquela casa tinha de desconhecido. Os moradores da pequena vila inventavam estórias de fantasmas dos primeiros donos; outros diziam ser a casa dominada por extra-terrestres. As suposições eram muitas. O fato era que nenhum ser conseguia vencer a casa.
Foi erguida no tempo do segundo reinado. Era uma construção imperosa e rica para a época. Seus primeiros donos eram da casa do Imperador. Todos admiravam a gigante obra. Todo o vilarejo se agitava durante a empreitada. O requinte era soberbo. Detalhes na fachada foi esculpido por artista vindo da França. As portas eram repletas de detalhes entalhados na madeira Pau-Brasil. Sua altura parecia que alcançaria as nuvens.
Mas, com o tempo, o edifício perdeu seu brilho e seu encanto. Restou a escuridão das paredes encardidas e a nostalgia da lembrança.
O passar dos dias corroia pouco a pouco a estrutura, que agora demosntrava sinais de ruínas. O prédio convaslecia, como seus donos convalesceram.
Tempo bom é o que virá. Viajar em pensamentos e viver comos errantes.
quinta-feira, 4 de junho de 2009
A partida
Condição lamentável essa de ser Quase, ainda mais quando depois do quase, vem o adjetivo poeta. Temos que fazer da nossa dor, motivo de inspiração e satisfazer poeticamente quem nos lê. Dá luz aos olhos e a imaginação. fazer voar os sentimentos por entre nuvens de formatos diversos. Ter a obrigação de emocionar casal recém formado em dias dos namorados.
Mas, ainda vou voltar, sei que um dia vou voltar, para meu tranquilo e sereno sertão e assumir novamente minha sina de matuto. Tirar do prego o chapéu de couro e a tardinha ganhar o mato à procura da rés perdida, e voltar já escuro puxando o cabresto, vitorioso e de peito inchado.
O sertão guarda consigo deveras aventuras e hábitos que só ele pode dá à vida prazeres distintos. Só vivendo nesse universo para conhecer tantas proezas juntas. E verás como nada disso é invenção. Quando puder, prometo que levo todos os meus leitores para lá. Tomarão leite no curral, bem quentinho, mugido na hora, com espuma. Depois seguiremos para o riacho e tomaremos um banho delicioso sob as águas caudalosas do Mearim.
A noite, sentar no alpendre e jogar conversa fora por horas perdidas no tempo. Chega um vento frio vindo das banda do Aracati, que às vezes anuncia chuva próxima.A iluminação à querosene deixa o ar mais campestre. Para ajudar no combate ao frio, pega-se uma tanga de rede, grossa e aveludada.
Depois que finda o final de semana, tudo volta ao curso normal. Inclusive a rotina, intediante. Acordar cedo e ter que tomar banho de chuveiro, a água tem sabor de q'boa e deixa o cabelo grosso e a pele ressecada.
Amores vãs. Prazeres também vãs. Na vida tudo passa e o que fica é a saudade. Sentimento que somente nós, latinos sentimos, com tamanha intensidade que chega a doer. Corroendo por dentro, deixando marcas.
É como lembrar da namorada que se foi sem disser adeus. Ficando apenas a lembraça e a dor da ausência. Malvada, se foi e nem deu tempo para me despedir, e levou minha alegria, sem deixar vestígio. Mas, superarei, como outras lembranças foram lembradas. Quando vencida, voltarei para o meu recanto e cantarei a aventura que foi viver longe de minha terra.
Ademais, um aperto de mão e até mais vê.
Mas, ainda vou voltar, sei que um dia vou voltar, para meu tranquilo e sereno sertão e assumir novamente minha sina de matuto. Tirar do prego o chapéu de couro e a tardinha ganhar o mato à procura da rés perdida, e voltar já escuro puxando o cabresto, vitorioso e de peito inchado.
O sertão guarda consigo deveras aventuras e hábitos que só ele pode dá à vida prazeres distintos. Só vivendo nesse universo para conhecer tantas proezas juntas. E verás como nada disso é invenção. Quando puder, prometo que levo todos os meus leitores para lá. Tomarão leite no curral, bem quentinho, mugido na hora, com espuma. Depois seguiremos para o riacho e tomaremos um banho delicioso sob as águas caudalosas do Mearim.
A noite, sentar no alpendre e jogar conversa fora por horas perdidas no tempo. Chega um vento frio vindo das banda do Aracati, que às vezes anuncia chuva próxima.A iluminação à querosene deixa o ar mais campestre. Para ajudar no combate ao frio, pega-se uma tanga de rede, grossa e aveludada.
Depois que finda o final de semana, tudo volta ao curso normal. Inclusive a rotina, intediante. Acordar cedo e ter que tomar banho de chuveiro, a água tem sabor de q'boa e deixa o cabelo grosso e a pele ressecada.
Amores vãs. Prazeres também vãs. Na vida tudo passa e o que fica é a saudade. Sentimento que somente nós, latinos sentimos, com tamanha intensidade que chega a doer. Corroendo por dentro, deixando marcas.
É como lembrar da namorada que se foi sem disser adeus. Ficando apenas a lembraça e a dor da ausência. Malvada, se foi e nem deu tempo para me despedir, e levou minha alegria, sem deixar vestígio. Mas, superarei, como outras lembranças foram lembradas. Quando vencida, voltarei para o meu recanto e cantarei a aventura que foi viver longe de minha terra.
Ademais, um aperto de mão e até mais vê.
terça-feira, 2 de junho de 2009
Carnaval
O carnaval está chegando. A alegria também. O povo todo vai para a rua, o bloco vai passar e arrastar a multidão. Os rapazes solteiros vão à procura de columbinas também sem ninguém. É a festa mais popular do mundo, mais democrática. E todos estão convidados à participar, sem recusas.
Minha fantasia está no varal a cotejar, na expectativa da passagem do arrastão. Meus sacos de gomas já foram comprados na butega da esquina da minha rua. Minha namorada já mandei ir embora, pois no carnaval ninguém é de ninguém. Irei sem lenço nem documento para a rua do Matacavalos, saudar o poeta marginal, e cortejar a vizinha.
A turma toda está se preparando para o carnaval. Mas eu irei sozinho, sem ninguém, acompanhado unicamente de minha irresponsabilidade. É carnaval, vale tudo para ser feliz.
O frevo está tocando, a garota pula sua coreografia e desce a ladeira com a sombrinha. Fico imaginando meu tempo de criança através daquele fervilhão de cores. Cores que claream nosso dia a dia.
As ruas vão se povoando de alegria. O riso fica fácil. As portas dos bares vão sendo baixadas e seus donos rumam para suas casas trocar de roupa e ver o bloco.
Pena que o bloco não espera por ninguém. Quem dormir ou estiver num canto escuro a namorar, vai deixar de ver e acompanhar.
Eu, por nado perco a descida do bloco. Ainda era manhã e já estava na concentração para a aparição.
Mas, na vida tudo tem um fim. E com o carnaval, não é diferente. Ele também acaba. Na quarta-feira de cinzas, tudo está de novo em seu devido lugar. A ordem é restabelecida. Inclusive a monotonia, a repetição do cotidiano.
A vida perde o ar frívolo, que não deveria deixar de existir. Assim, haveria menos depressão. Seríamos mais humanos. Findado o Carnaval, voltei, agora é pra ficar.
Procurei minha namorada. Reatamos o namoro. A vida.
Tudo de novo.
O próximo vai chegar. Já estou esperando. E quando acontecer, largo novamente o laço, e torço para não ser largado.
Minha fantasia está no varal a cotejar, na expectativa da passagem do arrastão. Meus sacos de gomas já foram comprados na butega da esquina da minha rua. Minha namorada já mandei ir embora, pois no carnaval ninguém é de ninguém. Irei sem lenço nem documento para a rua do Matacavalos, saudar o poeta marginal, e cortejar a vizinha.
A turma toda está se preparando para o carnaval. Mas eu irei sozinho, sem ninguém, acompanhado unicamente de minha irresponsabilidade. É carnaval, vale tudo para ser feliz.
O frevo está tocando, a garota pula sua coreografia e desce a ladeira com a sombrinha. Fico imaginando meu tempo de criança através daquele fervilhão de cores. Cores que claream nosso dia a dia.
As ruas vão se povoando de alegria. O riso fica fácil. As portas dos bares vão sendo baixadas e seus donos rumam para suas casas trocar de roupa e ver o bloco.
Pena que o bloco não espera por ninguém. Quem dormir ou estiver num canto escuro a namorar, vai deixar de ver e acompanhar.
Eu, por nado perco a descida do bloco. Ainda era manhã e já estava na concentração para a aparição.
Mas, na vida tudo tem um fim. E com o carnaval, não é diferente. Ele também acaba. Na quarta-feira de cinzas, tudo está de novo em seu devido lugar. A ordem é restabelecida. Inclusive a monotonia, a repetição do cotidiano.
A vida perde o ar frívolo, que não deveria deixar de existir. Assim, haveria menos depressão. Seríamos mais humanos. Findado o Carnaval, voltei, agora é pra ficar.
Procurei minha namorada. Reatamos o namoro. A vida.
Tudo de novo.
O próximo vai chegar. Já estou esperando. E quando acontecer, largo novamente o laço, e torço para não ser largado.
Compra-se vergonha na cara
Ora pois, nobre leitor, já que insistes na contação, vou lhe confiar o trágico fim de meu último namoro. Você é capaz de imaginar do que é capaz um mulher estérica, tomada por uma crise de ciúmes, ao ver seu namorado a conversar sem maldades com uma senhora pelas ruas despreocupadamente? Pois, leia com atenção e não vale sentir pena ou me xingar.
Como falava antes, estava eu a caminhar com uma senhora, colega de trabalho pelas ruas da pacata cidade de Quixadá, sem nenhuma preocupação com o tempo ou coisa semelhante, eis que encontro com minha namorada possessa de raiva e desconfiada de que aquela pobre madame, que já passava dos cinquenta, fosse minha amante. No momento em que seus miópes olhos me detectaram, não foi outra ação dela, a não ser partir pra cima da gente golpeando sem medir, nem mirar onde e quem acertasse. Minha única, ação, se é que houve alguma de minha parte, foi pedir para parar, que ela estava equivocada.
Então, os ânimos se acalmaram um pouco, os delas é claro,. O route de pancadaria também cessaram. Ai, começou a sessão palavrões, foi nome que nem mesmo meu seleto dicionário matutino de cearense pôde decifrar do que ela me elogiava. Formou-se, em torno da gente um público de não menos, quarenta pessoas, e olhe, nem pagaram ingresso, para ver minha tragédia, acreditaria que nem mesmo Édipo Rei faria tanto sucesso.
Mas, como tudo na vida passa, ido embora, minha ex, que naquele momento disse que não me queria mais, pedi desculpas a colega e me ofereci a acompanhá-la até sua casa, antes é claro de perguntar se estava tudo bem com a pessoa dela. Ela, educadamente disse que não precisava, e foi-se sozinha,
Eu, Fui calmamente para casa. Ainda bem que morava sozinho, como hoje, e curtir durante horas aquela dor, insuportável no lado direito do meu rosto, que ardia sem parar. Junto com a dor veio a raiva de injustamente ser agredido e exposto em praça pública. Que descontrole.
Acho que você, curioso que é, está se mordendo para saber o que aconteceu depois. Ora, Nobre Amigo, é preciso ter muita cara de pau, para fazer o que eu fiz depois de todo esse acontecimento. Passou-se um ano e eu separado dela. Mas, com esse tempo distante, parece que ela se renovou e ficou ainda mais bonita. Ao vê-la semana passada, me ocorreu uma vontade imensa de voltar a namorá-la. E então, surge uma luz, descobri que ela estava solteira, quebrei o orgulho e telefonei, pedi para conversamos e ela aceitou, então hoje resolveremos todo esse acontecimento de uma vez por toda, nesta noite. Peço que torça para mim.
Esta crônica foi escrita a oito anos atrás. Por isso não fiz nenhuma correção semântica ou ortográfica.
Como falava antes, estava eu a caminhar com uma senhora, colega de trabalho pelas ruas da pacata cidade de Quixadá, sem nenhuma preocupação com o tempo ou coisa semelhante, eis que encontro com minha namorada possessa de raiva e desconfiada de que aquela pobre madame, que já passava dos cinquenta, fosse minha amante. No momento em que seus miópes olhos me detectaram, não foi outra ação dela, a não ser partir pra cima da gente golpeando sem medir, nem mirar onde e quem acertasse. Minha única, ação, se é que houve alguma de minha parte, foi pedir para parar, que ela estava equivocada.
Então, os ânimos se acalmaram um pouco, os delas é claro,. O route de pancadaria também cessaram. Ai, começou a sessão palavrões, foi nome que nem mesmo meu seleto dicionário matutino de cearense pôde decifrar do que ela me elogiava. Formou-se, em torno da gente um público de não menos, quarenta pessoas, e olhe, nem pagaram ingresso, para ver minha tragédia, acreditaria que nem mesmo Édipo Rei faria tanto sucesso.
Mas, como tudo na vida passa, ido embora, minha ex, que naquele momento disse que não me queria mais, pedi desculpas a colega e me ofereci a acompanhá-la até sua casa, antes é claro de perguntar se estava tudo bem com a pessoa dela. Ela, educadamente disse que não precisava, e foi-se sozinha,
Eu, Fui calmamente para casa. Ainda bem que morava sozinho, como hoje, e curtir durante horas aquela dor, insuportável no lado direito do meu rosto, que ardia sem parar. Junto com a dor veio a raiva de injustamente ser agredido e exposto em praça pública. Que descontrole.
Acho que você, curioso que é, está se mordendo para saber o que aconteceu depois. Ora, Nobre Amigo, é preciso ter muita cara de pau, para fazer o que eu fiz depois de todo esse acontecimento. Passou-se um ano e eu separado dela. Mas, com esse tempo distante, parece que ela se renovou e ficou ainda mais bonita. Ao vê-la semana passada, me ocorreu uma vontade imensa de voltar a namorá-la. E então, surge uma luz, descobri que ela estava solteira, quebrei o orgulho e telefonei, pedi para conversamos e ela aceitou, então hoje resolveremos todo esse acontecimento de uma vez por toda, nesta noite. Peço que torça para mim.
Esta crônica foi escrita a oito anos atrás. Por isso não fiz nenhuma correção semântica ou ortográfica.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Entre quatro parades
Há coisas na vida da gente que ficam guardadas num cantinho esperando algo para se revelar. Como expressões, às vezes maliciosas. Pois eis uma que me tocou profundamente devido as circunstâncias e ao fato ocorrido. "Entre quatro paredes", Essa já virou jargão entre os amantes do sexo selvagem, servindo para a justificativa da transformação durante o ato. Mas, há certos equívocos na triste vida de um matuto como eu, dos autêntico, que coloca esses paradigmas em xeque. Pondo à baixo toda a estória construída nas relações amorosas.
Vou lhes contar o acontecido com esse cabeça chata, que vive no mundo da lua, à caçar sonhos perdidos e impossíveis. Dias atrás fui agraciado com uma casa novinha em folha, só esperando por mim, e mais a cambada de gente que me acompanhou; pois bem, continuando, fui conhecer a bendita mansão, olhei quarto por quarto, o quintal, a cozinha e depois de examinada a qualidade da construção fui-me embora. Dois dias depois volto de morada, de malas e cuias, como diz no meu interior. Durante a noite, enquanto tinha uma terrível dor de casa e por conta disso não conseguia dormir, fiquei a pensar, porque existo, e um negócio ficou a bater incansavelmente na parte semi-plana da cabeça. Minha casa não tinha quatro paredes, como as casas que conhecia, as normais que sempre via e entrava em algumas delas para tomar um copo de leite mugido na hora, pelas vizinhanças. Minha casa tinha cinco, uma a mais. Olhe onde me meti. Logo eu que sou ruim com os números. Já achava quatro muito, agora cinco, é um exagero, sem tamanho. Meu conhecimento de contação só permite contar dedos, e se estiverem desocupados.
Mas, tudo bem. Dá-se-a um jeito nessa contagem, pedirei ajuda para os universitários de plantão disposto a ajudar um jeca, que mal sabe escrever um ó de cócoras. E tão logo receberei o auxílio, me tranquilizarei.
Minha dispeita com os números vem desde de criança, dos tempo de disputa por bilas e carteiras de cigarros (simbolizava dinheiro). A briga era grande quando alguém sentia que estava sendo passado para trás. Pontapés, socos, chutes, e mais todo tipo de golpe era deferido durante a discussão. Mas, sempre fui quieto. Quando duvidavam de mim, entregava de imediato o objeto, sem espaço para intrigas ou coisa semelhante. Hoje, depois de grande e velho, me encontro em um novo impasse com os números, tendo que me valer de um sábio da modernidade para me tirar desse vexame.
Não me entrego assim tão fácil. Vou tentar, sozinho chegar a uma conclusão e solucionar o problema. Fiquei a miolar com o crânio, bicho-preguiça, funcionando lentamente, a passos de formigas.
O dia já mostrava as primeiras fagulhas de sol batendo na janela do meu quarto. De repente, a solução: derrubar a quinta parede, ficando tudo igualzinho a todos. Até minha dor de cabeça foi embora. Assim pude dormi tanquilamente, só acordando ao meu dia.
Vou lhes contar o acontecido com esse cabeça chata, que vive no mundo da lua, à caçar sonhos perdidos e impossíveis. Dias atrás fui agraciado com uma casa novinha em folha, só esperando por mim, e mais a cambada de gente que me acompanhou; pois bem, continuando, fui conhecer a bendita mansão, olhei quarto por quarto, o quintal, a cozinha e depois de examinada a qualidade da construção fui-me embora. Dois dias depois volto de morada, de malas e cuias, como diz no meu interior. Durante a noite, enquanto tinha uma terrível dor de casa e por conta disso não conseguia dormir, fiquei a pensar, porque existo, e um negócio ficou a bater incansavelmente na parte semi-plana da cabeça. Minha casa não tinha quatro paredes, como as casas que conhecia, as normais que sempre via e entrava em algumas delas para tomar um copo de leite mugido na hora, pelas vizinhanças. Minha casa tinha cinco, uma a mais. Olhe onde me meti. Logo eu que sou ruim com os números. Já achava quatro muito, agora cinco, é um exagero, sem tamanho. Meu conhecimento de contação só permite contar dedos, e se estiverem desocupados.
Mas, tudo bem. Dá-se-a um jeito nessa contagem, pedirei ajuda para os universitários de plantão disposto a ajudar um jeca, que mal sabe escrever um ó de cócoras. E tão logo receberei o auxílio, me tranquilizarei.
Minha dispeita com os números vem desde de criança, dos tempo de disputa por bilas e carteiras de cigarros (simbolizava dinheiro). A briga era grande quando alguém sentia que estava sendo passado para trás. Pontapés, socos, chutes, e mais todo tipo de golpe era deferido durante a discussão. Mas, sempre fui quieto. Quando duvidavam de mim, entregava de imediato o objeto, sem espaço para intrigas ou coisa semelhante. Hoje, depois de grande e velho, me encontro em um novo impasse com os números, tendo que me valer de um sábio da modernidade para me tirar desse vexame.
Não me entrego assim tão fácil. Vou tentar, sozinho chegar a uma conclusão e solucionar o problema. Fiquei a miolar com o crânio, bicho-preguiça, funcionando lentamente, a passos de formigas.
O dia já mostrava as primeiras fagulhas de sol batendo na janela do meu quarto. De repente, a solução: derrubar a quinta parede, ficando tudo igualzinho a todos. Até minha dor de cabeça foi embora. Assim pude dormi tanquilamente, só acordando ao meu dia.
terça-feira, 26 de maio de 2009
O último Pau-de-arara
Nobres Leitores do meu coração, tenho uma boa notícia a dá-lhes; conquistei o sofrido mérito da casa própria. Nunca mais vou pagar aluguel e ter que dá satisfação do cuidado da casa do dono. No dia do pagamento sempre é aquele ritual, às seis e meia em ponto, lá estava o maldito carrasco a esperar que eu acordasse e levar o suor do mês inteiro. Mas, de hoje em diante posso dormi até mais tarde nos dias 10 de cada mês e nem os terríveis pesadelos que antes tinha, quando o dinheiro estava em recesso, não terei mais. Bato no peito orgulhoso e grito bem alto, moro em casa minha. Pois bem, aproveitarei o causo e vou narrar o acontecido no primeiro dia que adentrei na minha mansão.
Era quase meio dia, hora em que as almas lá no sertão vão visitar os solitários, mas aqui na cidade não tem, graças a Deus. Mesmo sozinho entrei não receie e venci o obstáculo do medo. Cabra macho do interior que sou, honrrei a cabeça chata que herdei de papai e entrei corajosamente na espreita e com olhos de gato espantado para algum eventual risco que viesse a ocorrer-me. Tudo tranquilo, nenhum mostro se aproximou de mim, ou mesmo uma sombra maligna veio tirar meu sossego.
Passado o susto, tratei em me tranquilisar. Fui conhecer a casa por inteiro e nos mínimos detalhes. Entrei no primeiro quarto, sai direto para uma despensa que dava passagem para um outro quarto, talvez para empregados, que dava passagem para uma área aberta e sem telhado. Continuei a caminhar pelo vale de cômodos que me aguardava. Eram tantos que me assutei. Teria que chamar o corpo de bombeiros para a limpeza ou talvez o exercito.
Ainda caminhava, me via agora num labirinto, perdido. Comecei a ficar nervoso. Receie nunca mais encontrar a saída e morreria de fome e sede na minha própria casa, que tanto batalhei para tê-la, economizando moeda por moeda, tendo que matar um leão por dia, me via ameaçado por essa ingrata, tanto dedicação para nada.
Sentei-me no canto de uma das paredes alvas, como o céu. O suor escorria pelo meu rosto feito cachoeira. Minha respiração funcionava imitando a de um cachorro. Também pudera, um matuto nascido e criado em casa de taipa de dois vãos, como é que se localizava num castelo daquela magnitude. Achei até normal a estranheza. Sentia falta do fogão a lenha, o cheirinho bom da fumaça a entranhar na roupa, a paisagem da capoeira na frente da casa. O burrico a relinchar ao pingo do meio dia. Acordar de manhã cedo para pegar água na cacimba. Não haveria nada mais disso. Passarei a viver trancafiado entre essas paredes e o portão da frente sempre com o cadeado passado a chave. Ficaria apenas a lembrança dos tempo idos no sertão, agora vividos apenas aos sábados e domingos. Mas, me acostumarei.
Passado o estado de transe, me encontrei deitado no chão da cozinha a delirar com um febrão. Com muito esforço enxuguei o rosto e levantei-me. Com os olhos rasos d'água segui em direção a sáida. Tomei o rumo da rua e peguei o pau-de-arara direto para minha terra.
Dedico esse texto a um homem exemplo de dignidade e força de vontade, capaz de fazer qualquer coisa para seus semelhantes. José Luís de Melo.
Era quase meio dia, hora em que as almas lá no sertão vão visitar os solitários, mas aqui na cidade não tem, graças a Deus. Mesmo sozinho entrei não receie e venci o obstáculo do medo. Cabra macho do interior que sou, honrrei a cabeça chata que herdei de papai e entrei corajosamente na espreita e com olhos de gato espantado para algum eventual risco que viesse a ocorrer-me. Tudo tranquilo, nenhum mostro se aproximou de mim, ou mesmo uma sombra maligna veio tirar meu sossego.
Passado o susto, tratei em me tranquilisar. Fui conhecer a casa por inteiro e nos mínimos detalhes. Entrei no primeiro quarto, sai direto para uma despensa que dava passagem para um outro quarto, talvez para empregados, que dava passagem para uma área aberta e sem telhado. Continuei a caminhar pelo vale de cômodos que me aguardava. Eram tantos que me assutei. Teria que chamar o corpo de bombeiros para a limpeza ou talvez o exercito.
Ainda caminhava, me via agora num labirinto, perdido. Comecei a ficar nervoso. Receie nunca mais encontrar a saída e morreria de fome e sede na minha própria casa, que tanto batalhei para tê-la, economizando moeda por moeda, tendo que matar um leão por dia, me via ameaçado por essa ingrata, tanto dedicação para nada.
Sentei-me no canto de uma das paredes alvas, como o céu. O suor escorria pelo meu rosto feito cachoeira. Minha respiração funcionava imitando a de um cachorro. Também pudera, um matuto nascido e criado em casa de taipa de dois vãos, como é que se localizava num castelo daquela magnitude. Achei até normal a estranheza. Sentia falta do fogão a lenha, o cheirinho bom da fumaça a entranhar na roupa, a paisagem da capoeira na frente da casa. O burrico a relinchar ao pingo do meio dia. Acordar de manhã cedo para pegar água na cacimba. Não haveria nada mais disso. Passarei a viver trancafiado entre essas paredes e o portão da frente sempre com o cadeado passado a chave. Ficaria apenas a lembrança dos tempo idos no sertão, agora vividos apenas aos sábados e domingos. Mas, me acostumarei.
Passado o estado de transe, me encontrei deitado no chão da cozinha a delirar com um febrão. Com muito esforço enxuguei o rosto e levantei-me. Com os olhos rasos d'água segui em direção a sáida. Tomei o rumo da rua e peguei o pau-de-arara direto para minha terra.
Dedico esse texto a um homem exemplo de dignidade e força de vontade, capaz de fazer qualquer coisa para seus semelhantes. José Luís de Melo.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Até o fim ( Desabafo)
Hoje decidi me livrar dos velhos incalcos que me perseguiram durante anos a fio sem trégua. Fui vencido pelo cansaço. Pela dor de me ver a tantos dias sem a doce companhia de alguém. Livro-me de uma vez e nunca mais tenho de voltar a ver se alguém veio me visitar na minha única solidão. Prefiro minha ausência. Assim, sou feliz, do meu jeito. Da forma que me aprouver. Não sinta com isso culpa e obrigada a vir me ver. Faça o que tem vontade, mesmo que está comigo não seja o querer seu mais profundo.
Já me acostumei com a minha própria sombra. Ela me faz rir de madrugada quando tenho insônia e minha cabeça dói, uma bola de basquete lateja dentro dela sem trégua. Fico nervoso e peço para que ela não me abandone, pois só me restou ela. E me diz; Não seja assim tão manhoso! A dor é somente minha, por isso não divido com ninguém e mesmo se quisesse não poderia.
Vago sozinho perambulando pelas ruas, na noite avançada. Sozinho que sempre fui e serei. Não me assusto com a presença de seres de outro mundo. Sinto-me integrante do lado diferente da vida. Prefiro o anonimato, para não ser confundido ou comparado. Sou único, como minha dor.
Uma pessoa me para e pergunta: sente alguma coisa? secamente respondi, claro e você não sente suas pernas, seus dedos, seu coração? Fui brutalmente atacando a pobre criatura que me prestava auxílio. Talvez a ausência de carinho no meu corpo e na alma tenham me tornado esse ser duro. impenetrável.
Mas, continuo na existência.
O orgulho me toma por inteiro e peço a dó de ninguém. Não quero. Viverei assim, até os ultimos dias de insignificante existência.
Já me acostumei com a minha própria sombra. Ela me faz rir de madrugada quando tenho insônia e minha cabeça dói, uma bola de basquete lateja dentro dela sem trégua. Fico nervoso e peço para que ela não me abandone, pois só me restou ela. E me diz; Não seja assim tão manhoso! A dor é somente minha, por isso não divido com ninguém e mesmo se quisesse não poderia.
Vago sozinho perambulando pelas ruas, na noite avançada. Sozinho que sempre fui e serei. Não me assusto com a presença de seres de outro mundo. Sinto-me integrante do lado diferente da vida. Prefiro o anonimato, para não ser confundido ou comparado. Sou único, como minha dor.
Uma pessoa me para e pergunta: sente alguma coisa? secamente respondi, claro e você não sente suas pernas, seus dedos, seu coração? Fui brutalmente atacando a pobre criatura que me prestava auxílio. Talvez a ausência de carinho no meu corpo e na alma tenham me tornado esse ser duro. impenetrável.
Mas, continuo na existência.
O orgulho me toma por inteiro e peço a dó de ninguém. Não quero. Viverei assim, até os ultimos dias de insignificante existência.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Um sopro de vida
Ele estava no canto da sala vazia à espera Dela, que demorava sem prenúncio de sua chegada. Enfiara a cabeça entre os joelhos tapando os ouvidos e privando seus doces olhinhos de espanto do mundo que o rejeitara. Bastante tempo fazia que se encontrava imóvel naquele postura, no escondido, de si mesmo. Mas não desistiria, uma hora dessas ela surgiria como a fênix e o levaria para um lugar confortável, repleto de luminosidade. Só seu. Seria o próprio Rei do castelo onde morava.
Durante a manhã passada mendigou atenção pelas ruas, sozinho, nada. As pessoas perderam o precioso dom dado por Deus, o Olhar. Muitos viam-no, mas não o enxergavam, sendo mais um a perambular e completar a corja de esfarrapados de moribundos das calçadas.
Esperaria mais um tempo. Era compensador a volta Dela. Podia esperar a vida inteira, até o último derradeiro instante de luz para tê-la novamente. Mas ela se recusava a voltar, como se recusou a amá-lo. Deixou-o jogado sem ninguém para o defender ou confortá-lo.
Nascera numa noite de chuva forte. Várias casas completaram-se com água barrenta. Estradas foram cortadas pela força destruidora da correnteza que assolava tudo.Talvez, isso seria uma anuncio do que estaria a acontecer com o pequeno. Fora fruto do pecado, de uma gravidez indesejada, descuido daquela mulher da vida que desaprendia dia a dia o ser mãe, e fingia a existência do menino, indefeso. não foi sua a decisão de está ali.
Desistira de esperar. Ela não viria mais apanhá-lo. Deixara-o já sabendo seu destino, entregue nas mãos do Criador. Ele entendeu tudo com o último olhar da mãe o motivo de sua deixa e sua frase derradeira: -Mamãe já volta. Não precisa ficar com medo.
A partir de agora seria mais um moleque criado pelas ruas. Filho do caos e da falta de humanidade.
Suas pernas finas e fracas tremiam. Não suportariam mais uma leva de tempo e maus tratos. Sua visão desfalecia lentamente até perde-se totalmente. O corpo não aguentou mais. Caiu, gemeu e por último suspirou.
Durante a manhã passada mendigou atenção pelas ruas, sozinho, nada. As pessoas perderam o precioso dom dado por Deus, o Olhar. Muitos viam-no, mas não o enxergavam, sendo mais um a perambular e completar a corja de esfarrapados de moribundos das calçadas.
Esperaria mais um tempo. Era compensador a volta Dela. Podia esperar a vida inteira, até o último derradeiro instante de luz para tê-la novamente. Mas ela se recusava a voltar, como se recusou a amá-lo. Deixou-o jogado sem ninguém para o defender ou confortá-lo.
Nascera numa noite de chuva forte. Várias casas completaram-se com água barrenta. Estradas foram cortadas pela força destruidora da correnteza que assolava tudo.Talvez, isso seria uma anuncio do que estaria a acontecer com o pequeno. Fora fruto do pecado, de uma gravidez indesejada, descuido daquela mulher da vida que desaprendia dia a dia o ser mãe, e fingia a existência do menino, indefeso. não foi sua a decisão de está ali.
Desistira de esperar. Ela não viria mais apanhá-lo. Deixara-o já sabendo seu destino, entregue nas mãos do Criador. Ele entendeu tudo com o último olhar da mãe o motivo de sua deixa e sua frase derradeira: -Mamãe já volta. Não precisa ficar com medo.
A partir de agora seria mais um moleque criado pelas ruas. Filho do caos e da falta de humanidade.
Suas pernas finas e fracas tremiam. Não suportariam mais uma leva de tempo e maus tratos. Sua visão desfalecia lentamente até perde-se totalmente. O corpo não aguentou mais. Caiu, gemeu e por último suspirou.
terça-feira, 19 de maio de 2009
O Vento
Foi sem você
Que pude entender
O tão sozinho estava
E vazio de ser
A arvore da vida
Guardou-me o destino
E reservou o teu colo
Para sempre meu
Não fujo mais
Não me escondo mais
Estou sempre a te esperar
Mesmo que distante esteja
Mesmo no silêncio escuto
Tua voz a me chamar
A voz do coração a clamar
Ao teu lado estar
Fico observando o caminhar do tempo
Até perceber o que se perdeu
Fico esperando o vento
Trazer notícias do mau tempo
Que chegou anunciando a tempestade
A tempestade que foi sem você
Poema dedicado aos amantes incondicionais.
Kildery.
Que pude entender
O tão sozinho estava
E vazio de ser
A arvore da vida
Guardou-me o destino
E reservou o teu colo
Para sempre meu
Não fujo mais
Não me escondo mais
Estou sempre a te esperar
Mesmo que distante esteja
Mesmo no silêncio escuto
Tua voz a me chamar
A voz do coração a clamar
Ao teu lado estar
Fico observando o caminhar do tempo
Até perceber o que se perdeu
Fico esperando o vento
Trazer notícias do mau tempo
Que chegou anunciando a tempestade
A tempestade que foi sem você
Poema dedicado aos amantes incondicionais.
Kildery.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A Fuga
Atendendo aos pedidos de centenas de leitores enlouquecidos, vou lhes contar o divertido e curioso causo acontecido com esse matuto que vos escreve. Faço, porem, uma advertência, ao final não me chame de mentiroso ou de maluco.
Há dias que não devemos existir. Não pense que sou pessimista com a vida fiel leitor, é que às vezes ocorre tamanhas atrocidades em um único dia, que mesmo um jeca temente a deus, enfraquece suas forças de luta. Puxa o tamborete,se abanque e escute essa breve narração que me ocorreu.
Certa manhã acordei com a barriga chamando não sei por quem, pois não entendi nada. Sentia um enorme vazio. Ocorreu-me uma pena tremenda das minhoquinhas que lá crio. Recorri a geladeira com a esperança de salvação e aplacar a desnutrição. mas, o caixão com ar refrigerado, também se encontrava vazio. Levei as mãos à cabeça e roquei ao Todo Poderoso. Sem solução
Fui ao supermercado, o mais modernos da cidade. Mas, com qual dinheiro pagaria as compras? Fácil, pensei eu, na ilusão de convencer o caixa, um sujeito mal humorado, de que havia esquecido o cartão de crédito em casa. Levaria os mantimentos e voltaria com o tal cartão. Nada de acordo com o moço. Pedi para chamar o gerente. Ele veio com uma expressão de matador. Não me diminui. Também sem negociação. Propôs que ficasse com com minha camisa de chita novinha em troca dos alimentos. O tal supervisor parecia ouvir uma piada bem engraçada. Disse que para eu levar a compra, me deixaria ficar apenas com a cueca, que não servia para nada, até o elástico estava morto. Não hesitei, entreguei tudo e me livrei do horrível suga-suga com as sacolas empunho, uma na frente e a outra atrás.
Caminhava contente quando uma multidão se formou bem na minha frente a falar um idioma que eu não entendia. Também pudera, o que aprendi na escola mal dava para fazer um ó de cócoras. Entendi que eles chamaram algo de reforço ou captura. Fiquei sem saber o que fazer diante daquela situação. Esperei. Derrepente, uma espécie de viatura espirrou nos meus pés descalços, nem a alpergata de pneu o gerente deixou passar. Notei que aguele carro estava alí por minha causa. Nele estava escrito: Patrulha de animais selvagens. Depois de lido e compreendido, acalmei-me, pois conclui que não era para mim.
Continuei a caminhada em direção a minha toca. Quando passei pelo camburão, dois enormes monstros me agarraram pelo pescoço e pelas pernas e me jogaram dentro do porta malas junto com outros bichos. Fiquei inquieto. Perguntei qual era a acusação e nada deles responder. O carro partiu em disparada nos jogando sobre as paredes do veículos. Certamente me sedaram, pois só acordei na semana seguinte com um junta de veterinários em minha volta. Tentei estabelecer comunicação. mas ele não entendiam.
Chegou o que parecia ser um cocho com restos de comidas e deramn para eu comer. Terminada a refeição, me pegaram pelo braço e levaram para junto de outros animais. Aproximei-me de um avestruz com cara de amigo e perguntei sem esperança de resposta. -onde estava? ele repondeu; -Você está num asilo para animais com distúrbios mentais.
Mas logo eu, que sou tão equilibrado, pensava até então.
Fiquei cada vez mais amigo da ave. Ele me convidou para fugir daquele lugar, até já tinha plano, nem pensei em recusar. Preparei-me e na hora marcada lá estava à espera e preparado para a fuga.
Caro leitor, peço que depois de tamanha aventura esteja você torcendo para que tenha dado certo meu plano e me tornado novamente livre e normal.
Conseguimos escapar do refúgio de lunáticos.
O jornal da noite anunciava um absurdo, vejam se é possível: Dois pacientes do hospício Freud II, fugiram nesta madrugada. Alertamos a comunidade que eles são extremamente perigosos.
Há dias que não devemos existir. Não pense que sou pessimista com a vida fiel leitor, é que às vezes ocorre tamanhas atrocidades em um único dia, que mesmo um jeca temente a deus, enfraquece suas forças de luta. Puxa o tamborete,se abanque e escute essa breve narração que me ocorreu.
Certa manhã acordei com a barriga chamando não sei por quem, pois não entendi nada. Sentia um enorme vazio. Ocorreu-me uma pena tremenda das minhoquinhas que lá crio. Recorri a geladeira com a esperança de salvação e aplacar a desnutrição. mas, o caixão com ar refrigerado, também se encontrava vazio. Levei as mãos à cabeça e roquei ao Todo Poderoso. Sem solução
Fui ao supermercado, o mais modernos da cidade. Mas, com qual dinheiro pagaria as compras? Fácil, pensei eu, na ilusão de convencer o caixa, um sujeito mal humorado, de que havia esquecido o cartão de crédito em casa. Levaria os mantimentos e voltaria com o tal cartão. Nada de acordo com o moço. Pedi para chamar o gerente. Ele veio com uma expressão de matador. Não me diminui. Também sem negociação. Propôs que ficasse com com minha camisa de chita novinha em troca dos alimentos. O tal supervisor parecia ouvir uma piada bem engraçada. Disse que para eu levar a compra, me deixaria ficar apenas com a cueca, que não servia para nada, até o elástico estava morto. Não hesitei, entreguei tudo e me livrei do horrível suga-suga com as sacolas empunho, uma na frente e a outra atrás.
Caminhava contente quando uma multidão se formou bem na minha frente a falar um idioma que eu não entendia. Também pudera, o que aprendi na escola mal dava para fazer um ó de cócoras. Entendi que eles chamaram algo de reforço ou captura. Fiquei sem saber o que fazer diante daquela situação. Esperei. Derrepente, uma espécie de viatura espirrou nos meus pés descalços, nem a alpergata de pneu o gerente deixou passar. Notei que aguele carro estava alí por minha causa. Nele estava escrito: Patrulha de animais selvagens. Depois de lido e compreendido, acalmei-me, pois conclui que não era para mim.
Continuei a caminhada em direção a minha toca. Quando passei pelo camburão, dois enormes monstros me agarraram pelo pescoço e pelas pernas e me jogaram dentro do porta malas junto com outros bichos. Fiquei inquieto. Perguntei qual era a acusação e nada deles responder. O carro partiu em disparada nos jogando sobre as paredes do veículos. Certamente me sedaram, pois só acordei na semana seguinte com um junta de veterinários em minha volta. Tentei estabelecer comunicação. mas ele não entendiam.
Chegou o que parecia ser um cocho com restos de comidas e deramn para eu comer. Terminada a refeição, me pegaram pelo braço e levaram para junto de outros animais. Aproximei-me de um avestruz com cara de amigo e perguntei sem esperança de resposta. -onde estava? ele repondeu; -Você está num asilo para animais com distúrbios mentais.
Mas logo eu, que sou tão equilibrado, pensava até então.
Fiquei cada vez mais amigo da ave. Ele me convidou para fugir daquele lugar, até já tinha plano, nem pensei em recusar. Preparei-me e na hora marcada lá estava à espera e preparado para a fuga.
Caro leitor, peço que depois de tamanha aventura esteja você torcendo para que tenha dado certo meu plano e me tornado novamente livre e normal.
Conseguimos escapar do refúgio de lunáticos.
O jornal da noite anunciava um absurdo, vejam se é possível: Dois pacientes do hospício Freud II, fugiram nesta madrugada. Alertamos a comunidade que eles são extremamente perigosos.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Interatividade ao máximo
Hoje, acordei no meio da noite assustado com o sonho que tive e com medo de que o mesmo viesse invadir minha pobre realidade debilitada pelos percalços da rotina, que não são poucos, só conhecendo-os para entende-los. Então vamos ao sucedido.
Durante todo o dia que se passou, só escutava ou mesmo via, notícia, que não fosse sobre a modernização pela qual a tv passava, melhorando de qualidade a imagem e ganhando no quesito interatividade. Esses horrores de nomenclatura para a antiga caixão de visão me deixaram nervoso e confunso. - "-Será que ela vai entrar para a família? ou - Será que ela vai ter filhos? questões dessa natureza martelava na minha cabeça chata de matuto, que até então só conhecia o tubo de imagem 14". Dava no noticiário que a partir dessa inovação se podia comprar a roupa da atriz ou do ator, conforme a preferência, com uma simples apertadinha. Meu Deus, já imaginou meu vizinho querendo uma calça igual a minha? Vai de imediato ao Shopping-sala e arranca de minhas pernas as vestes sacerdotais que sempre me acompanham. E se a casa estiver com visitas, que não faltam? Olha a situação que esse povo me meteu!
Mas, no meu sonho a coisa era ainda pior, o que até pouco tempo foi móvel de sala, agora ela se transformava em um imenso monstro devorador de crânios humanos, cujas vítimas eram preferencialmente universitários. O abominável ser atacava na calada da noite, em lugares desertos e sem a presença da luz. Esperava o fim das aulas noturnas e surpreendia os desatentos estudantes. Ele possuia uma enorme boca repleta de dentes afiados, e com apenas bocada, arrancava as cabeças dos transeuntes.
Como diz o ditado, tudo que começça tem um fim. A terrível criatura passou a atacar os alunos de uma outra faculdade, da mesma cidade, com a mesma artimanha. Estes últimos eram mais atraentes e deliciosos. Andavam melhor vestidos, alguns até tinham carro, outros motos. Mas, não se livravam da ação esmagadora do bichano.
Com o tempo, percebia-se que, aos poucos o monstrengo diminuia de tamanho, talvez fosse a idade, ficando corcundo, reduzido. Suas forças era cada dia menor, perceptivelmente, pois algumas vítimas conseguiam escapar. Suas garras e seus dentes perderam seu aspecto devorador. Até que uma noite dessas, um garotinho brincando pelos arredores de casa, encontrou um aparelho velho de tv jogado próximo a uma montanha de lixa. Curioso, ela estava ligada. Passava o jornal da noite, que anunciava s seguinte matéria:
"Pesquisa realizada por estudantes da capital, mostra o baixo nível de aprendizado em faculdades particulares do interior. Ela ainda mostrava que os alunos possuíam pouca capacidade intelectual".
Levantei num salto, preocupado com a minha velha tv japonesa. Fui direto saber como ela estava. Graças ao divino, tudo estava no seu devido lugar. Mas, para me certificar, liguei a incansável companheira das horas vazias, normal. Excerto a enorme barriga do velho gordo. Tomei um remédio tranquilizante e voltei para cama. Dormi feito um anjinho, que sou.
Durante todo o dia que se passou, só escutava ou mesmo via, notícia, que não fosse sobre a modernização pela qual a tv passava, melhorando de qualidade a imagem e ganhando no quesito interatividade. Esses horrores de nomenclatura para a antiga caixão de visão me deixaram nervoso e confunso. - "-Será que ela vai entrar para a família? ou - Será que ela vai ter filhos? questões dessa natureza martelava na minha cabeça chata de matuto, que até então só conhecia o tubo de imagem 14". Dava no noticiário que a partir dessa inovação se podia comprar a roupa da atriz ou do ator, conforme a preferência, com uma simples apertadinha. Meu Deus, já imaginou meu vizinho querendo uma calça igual a minha? Vai de imediato ao Shopping-sala e arranca de minhas pernas as vestes sacerdotais que sempre me acompanham. E se a casa estiver com visitas, que não faltam? Olha a situação que esse povo me meteu!
Mas, no meu sonho a coisa era ainda pior, o que até pouco tempo foi móvel de sala, agora ela se transformava em um imenso monstro devorador de crânios humanos, cujas vítimas eram preferencialmente universitários. O abominável ser atacava na calada da noite, em lugares desertos e sem a presença da luz. Esperava o fim das aulas noturnas e surpreendia os desatentos estudantes. Ele possuia uma enorme boca repleta de dentes afiados, e com apenas bocada, arrancava as cabeças dos transeuntes.
Como diz o ditado, tudo que começça tem um fim. A terrível criatura passou a atacar os alunos de uma outra faculdade, da mesma cidade, com a mesma artimanha. Estes últimos eram mais atraentes e deliciosos. Andavam melhor vestidos, alguns até tinham carro, outros motos. Mas, não se livravam da ação esmagadora do bichano.
Com o tempo, percebia-se que, aos poucos o monstrengo diminuia de tamanho, talvez fosse a idade, ficando corcundo, reduzido. Suas forças era cada dia menor, perceptivelmente, pois algumas vítimas conseguiam escapar. Suas garras e seus dentes perderam seu aspecto devorador. Até que uma noite dessas, um garotinho brincando pelos arredores de casa, encontrou um aparelho velho de tv jogado próximo a uma montanha de lixa. Curioso, ela estava ligada. Passava o jornal da noite, que anunciava s seguinte matéria:
"Pesquisa realizada por estudantes da capital, mostra o baixo nível de aprendizado em faculdades particulares do interior. Ela ainda mostrava que os alunos possuíam pouca capacidade intelectual".
Levantei num salto, preocupado com a minha velha tv japonesa. Fui direto saber como ela estava. Graças ao divino, tudo estava no seu devido lugar. Mas, para me certificar, liguei a incansável companheira das horas vazias, normal. Excerto a enorme barriga do velho gordo. Tomei um remédio tranquilizante e voltei para cama. Dormi feito um anjinho, que sou.
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